07/12/2017 Por:

O que podemos aprender sobre os exames médicos de motoristas com a tragédia ocorrida em Pernambuco?

Por Rodolfo Rizzotto, Coordenador do SOS Estradas

No final do ano passado, um motorista de 26 anos com histórico de abuso de drogas e álcool desde a adolescência, envolvido em vários acidentes, passou o sinal vermelho numa velocidade de 108 km/h em uma avenida de Recife, cujo limite era de 60km/h e colidiu com outro veículo. Como resultado, o acidente vitimou 3 pessoas, sendo a esposa do outro condutor, seu filho e a babá do seu filho, que estava grávida. Sobreviveram apenas o marido e uma filha pequena.

O jovem motorista estava visivelmente alcoolizado e possivelmente sob efeito de drogas. Ele sofreu ferimentos leves e foi preso. A repercussão foi tão grande que a polícia apresentou a conclusão do inquérito apenas oito dias depois. A quantidade de testemunhas e o histórico do causador do acidente também ajudaram na apuração da tragédia.

Existem muitas lições para extrair desse episódio e evitarmos que novos crimes de trânsito como este ocorram. Entretanto, o que queremos destacar é a necessidade de revermos os exames médicos de motoristas no Brasil. Todos os condutores são obrigados a passar por esses exames, mas denúncias afirmam que estes, muitas vezes, não são confiáveis.

No caso deste acidente de Pernambuco, vemos que estas denúncias estão corretas. Afinal, como um jovem que, desde a escola, era um usuário de drogas, tinha como hábito dirigir alcoolizado e, por diversas vezes, foi internado, conseguiu passar pelo exame médico sem que o profissional especializado em Medicina de Tráfego identificasse esse problema? Na mesma linha de raciocínio, nas operações de saúde realizadas com caminhoneiros nas estradas, até 40% dos motoristas examinados são identificados com deficiência visual, embora esse fato não apareça registrado na CNH.

Portanto, não importa a categoria da CNH do motorista, é evidente que precisamos investigar a qualidade desses exames médicos, que não podem servir apenas para gerar receita.

Gostou do artigo? Clique aqui para conhecer o site do SOS Estradas, um programa que visa reduzir os acidentes e aumentar a segurança nas rodovias.

 

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