Arquivos mensais: setembro 2015

Paris fechou ruas para carros durante um dia inteiro

28/09/2015 Por:

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Já imaginou um dia em que nenhum veículo – exceto ambulâncias e viaturas policiais – pudesse trafegar pelas ruas da sua cidade? Em Paris, capital da França, isso aconteceu nas principais avenidas e regiões turísticas. A iniciativa marcou a Semana Europeia de Mobilidade que vem, ao longo do mês de setembro, engajando diversas cidades da Europa em torno da temática de mobilidade sustentável.

De acordo com matéria publicada no site da Revista Exame, o tráfego intenso aliado a fatores climáticos tem elevado a preocupação com a poluição na cidade. No ano passado, a prefeitura de Paris liberou transporte público gratuito durante um período para minimizar a contaminação do ar.

A ideia da Semana de Mobilidade é estimular que as pessoas ocupem os espaços públicos, a pé ou de bicicleta, participando de atividades como shows e exposições. Além de Paris, Bruxelas, na Bélgica, Roma, na Itália, e Lisboa, em Portugal, também organizaram ações semelhantes.

Todos nós podemos ser agentes de mudança na direção de um trânsito mais seguro

25/09/2015 Por:

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Estamos no último dia da Semana Nacional do Trânsito e vamos encerrar falando sobre o tema que foi bem escolhido pelo Denatran: Seja Você a Mudança no Trânsito.

Vivemos numa sociedade que tem o hábito de responsabilizar o Estado,  autoridades e governos pelas mazelas do país. Em muitos casos são críticas absolutamente procedentes, mas quando o tema é segurança no trânsito não podemos esquecer que quem faz o trânsito são seres humanos, ou seja, somos nós.

Deveríamos aproveitar a importância desta semana para refletir sobre nosso comportamento como pedestres, passageiros, motoristas, motociclistas, ciclistas, pais, enfim, como cidadãos cujas ações tem reflexo na nossa segurança, assim como dos demais. O pedestre que não respeita a faixa coloca em risco sua vida e também a do motorista e de terceiros. Muitas vezes para desviar de um pedestre e evitar seu atropelamento, um motorista perde o controle do veículo e provoca um acidente grave com outras pessoas que nada têm a ver com o comportamento do pedestre. Não precisamos nem aprofundar as consequências dos motoristas que andam em excesso de velocidade, sob efeito de álcool, ou que dirigem uma carreta cansados. São todos fatores humanos que contribuem para o que chamamos de acidente.

Por outro lado, apesar das frequentes críticas, o fato é que as estradas estão melhorando, a sinalização nas ruas e cidades também, os carros tem tecnologia cada vez mais avançada, com air bag, abs obrigatório de fábrica, os sistemas eletrônicos de fiscalização são cada vez mais eficientes…. E até após o acidente, o DPVAT , seguro que ampara as vítimas de trânsito também tem sido aprimorado, principalmente na agilidade no atendimento e desburocratização para pagar a indenização.

Até em termos legislativos o país tem evoluído. O Código de Trânsito Brasileiro é um dos melhores do mundo, e a chamada “Lei Seca” também ofereceu às autoridades instrumento para combater os motoristas alcoolizados, que tantos acidentes provocam. Até na questão dos motoristas que dirigem sob efeito de drogas, temos uma nova legislação, inicialmente focada nos motoristas profissionais,  mas, que com o tempo, vai atingir a todos os que usam drogas ao volante.

Portanto, há vários aspectos em que evoluímos como sociedade, mas como agentes diários do trânsito temos muito ainda que aprender e contribuir. Basta pensar nos dados do último feriado de Independência. Foram mais de 230 mortes e pelos menos 2.500 feridos somente nas estradas e podemos atribuir em 90% dos casos de mortes e acidentes ao fator humano.

Nesta semana nacional do trânsito pelos menos mil pessoas vão ter morrido nas ruas e nas estradas. Não podemos mais tolerar esses números e, para que isso mude realmente, é preciso que você e cada um de nós sejamos de fato os agentes da mudança na direção de um trânsito mais seguro. Com certeza você pode contribuir para isso, aproveite esta semana para refletir e conversar sobre o tema com seus entes queridos e amigos, afinal, quem morre no trânsito é amigo ou parente de alguém. Ninguém está livre disso.

Rodolfo Alberto Rizzotto

Formado em Direito e Economia, coordena o programa de segurança nas estradas SOS Estradas e edita o site www.estradas.com.br, onde é possível acompanhar os temas de seus artigos também em arquivos de áudio, disponíveis para download.

Crianças estão morrendo ou ficando inválidas em acidentes com motocicletas. Vamos mudar isso!

24/09/2015 Por:

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Um levantamento inédito do Centro de Estatísticas da Seguradora Líder-DPVAT revela que, desde setembro de 2008, 8.542 crianças de até 10 anos morreram ou ficaram inválidas sendo transportadas em motocicletas. Deste total, 439 correspondem a casos de morte e 8.103 de invalidez permanentemente. Na grande maioria dos casos, os acidentes acontecem não só por imprudência e irresponsabilidade de adultos, mas por grave infração da lei.

Para o Diretor-Presidente da Seguradora Líder-DPVAT, Ricardo Xavier, os números ilustram uma realidade muito triste do Brasil. “Sabemos que em todo País, principalmente no interior, é comum ver famílias inteiras sendo transportadas em motos, até o cachorro, atitude que coloca em risco a vida das crianças, em primeiro lugar, pois são, naturalmente, mais frágeis. Na Semana Nacional do Trânsito, que acontece entre os dias 18 e 25 de setembro, devemos trabalhar a conscientização das pessoas para que elas mesmas sejam a mudança no trânsito”, comenta.

Entre setembro de 2008 e agosto de 2009, foram pagas 342 indenizações nessas modalidades de cobertura à crianças dessa faixa etária. Cinco anos depois, no mesmo período analisado (setembro de 2013 a agosto 2014), esse número cresceu para 2.652. Da última Semana Nacional de Trânsito  até agosto de 2015, já foram pagas 1.199 indenizações referentes a acidentes com morte ou invalidez envolvendo o público mirim. Este número ainda pode ser maior, tendo em vista que o ano ainda não acabou e que o prazo legal para dar entrada no pedido do Seguro DPVAT é de 3 anos contados a partir da data da ocorrência.

Vale lembrar que o transporte de crianças, em qualquer veículo, tem que ser realizado com muita segurança. No caso das motocicletas é proibido levar crianças menores de sete anos ou que não tenham condições de cuidar da própria segurança. Infelizmente, essa é uma regra que não é seguida por muitos motociclistas e que representa uma infração gravíssima, passível de multa e da suspensão do direito de dirigir. Basta olhar os dados estatísticos da Seguradora Líder-DPVAT para, infelizmente, comprovar que essa regra não é cumprida por muitos, pois a faixa etária de 0 a 7 anos equivale a 60% das ocorrências de indenizações pagas pelo Seguro DPVAT no período analisado.

No enfoque de região geográfica, a região Nordeste é líder isolada nas ocorrências envolvendo crianças transportadas em motocicletas, representando 51% da quantidade de indenizações em âmbito nacional, muito embora a sua frota de motocicletas seja de apenas 27% da frota nacional. Em segundo lugar, aparece a Região Norte, com 22% das indenizações, sendo a sua frota de motocicletas de apenas 9% da frota nacional. As duas regiões juntas, representam 36% da frota nacional de motocicletas porém foram responsáveis por 73% das indenizações.

Dicas para o transporte das crianças em motos

É importante lembrar aos pais que a motocicleta, por suas características, já é um tipo de veículo que oferece menos segurança do que um carro, pois o motorista e passageiro ficam expostos em caso de colisão. Por isso, ao transportar crianças em motos, é primordial se cercar de todos os cuidados.

Em primeiro lugar, é preciso que a criança tenha a idade mínima exigida por lei para que ela tenha condições mínimas de segurança. O capacete não pode ficar frouxo, ele deve ser adequado ao tamanho da cabeça do menor. Importante também que a criança esteja de calça, tênis, jaqueta – utensílios essenciais para proteger a criança ou qualquer indivíduo de escoriações leves. Outro utensílio que aumenta a segurança é o colete Anjo da Guarda, que prende a criança na cintura do condutor, evitando quedas por distrações, sonolência ou solavancos.

Veja, em vídeo, como ajudar a transformar a convivência no trânsito

23/09/2015 Por:

Observar

Um dos principais desafios para governantes, sociedade organizada e iniciativa privada no Brasil é a diminuição da violência no trânsito. Mas, países como Austrália e Espanha nos mostram em sua história que, com força de vontade, dedicação e engajamento, trazemos a solução para perto e o problema deixa de ter o tamanho quase imensurável.

Como sabemos, a Semana Nacional de Trânsito de 2015 traz um convite para toda sociedade para que “SEJA VOCÊ A MUDANÇA NO TRÂNSITO”. Mas, como ser a mudança?

O vídeo educativo do Programa Observar de setembro traz exatamente esse incentivo: ser mais paciente, respeitar as leis, sair de casa acompanhado sempre do respeito e da generosidade, enfim, tratar o outro, que vai de carro, moto, a pé ou de bicicleta, como gostaria de ser tratado.

Assista ao vídeo e confira as dicas sobre como podemos contribuir para um trânsito mais seguro e gentil.

 

O pedestre também pode fazer a diferença no trânsito!

22/09/2015 Por:

SEMANA TRANSITO 22.09.15

Nem todo pedestre é motorista, mas todo motorista também é pedestre. Por isso, hoje, dia em homenagem ao pedestre, o nosso post é sobre esse agente tão importante do trânsito. Afinal, todos nós, em algum momento, usamos as calçadas e atravessamos a rua.

Existem algumas leis no Código de Trânsito Brasileiro para garantir a segurança do pedestre. No artigo 29, por exemplo, fica definido que os veículos de maior porte serão sempre responsáveis pela segurança dos menores, os motorizados pelos não motorizados e, juntos, pela incolumidade dos pedestres. Além disso, o artigo 170 define que dirigir ameaçando os pedestres que estejam atravessando a via pública é considerado infração gravíssima, punida com multa e suspensão do direito de conduzir, acarretando a retenção do veículo e o recolhimento do documento de habilitação.

Mas quem circula pelas calçadas também pode fazer a sua parte e adotar comportamentos que garantam ainda mais a sua segurança. É importante atravessar sempre na faixa e olhar para os dois lados antes de pisar na rua, para garantir que o fluxo de veículos tenha parado. Além disso, nunca atravessar a rua na frente do ônibus que parou no ponto ou entre árvores, pois o motorista está com a visão prejudicada. Quando precisar passar por avenidas ou rodovias, utilizar sempre a passarela, pois é o meio mais seguro de atravessar vias expressas.

Carona Solidária

Hoje também é comemorado o Dia Mundial sem Carro e da Carona Solidária. Diminuir a quantidade de carros nas cidades brasileiras não só é uma questão ambiental, pois melhora a qualidade do ar, como também ajuda a diminuir os congestionamentos.

Aproveite a data para começar essa prática. Se algum vizinho seu costuma fazer o mesmo trajeto que você, sugira um revezamento. E os seus colegas de trabalho? Moram na mesma região? Façam grupos de revezamento e organizem as despesas. Quem sabe não é também uma opção mais econômica?

Ajude a construir um planeta mais sustentável. Só depende de nós!

Um homem foi às ruas com um tanque de guerra. Mas será que é preciso fazer isso pra viver seguro no trânsito?

21/09/2015 Por:

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Acredite se quiser: um ex-engenheiro foi visto circulando com um tanque como se fosse um carro. Mas pode ficar calmo que isso não vai virar moda. Esse fato tão inusitado faz parte da nossa ação para a Semana Nacional do Trânsito. Para deixar claro que a mudança começa com nós mesmos, criamos um personagem e mostramos uma atitude extrema às pessoas. Porque o que nós mais queremos é não ter que chegar a esse ponto.

E sabe o que pode chamar tanta atenção quanto um tanque estacionado? Os números de mortos e feridos no trânsito brasileiro. Não é exagero dizer que morre mais gente em acidentes de trânsito aqui no país do que em guerras no Oriente Médio. Segundo dados da Seguradora Líder DPVAT, em 2014, os casos de invalidez permanente representaram a maioria das indenizações pagas pelo Seguro DPVAT, chegando a 78% (595.693). Já os casos de morte representaram uma redução de 5% quando comparados à 2013 e registraram 7% dos pagamentos (52.226). Ainda em 2014, a faixa etária mais atingida foi de 18 a 34 anos, representando 52% (398.113) do total das indenizações pagas.

Todos concordam que a situação é complexa e os numeros estão aí pra provar. Mas você acha que levar esta guerra em frente é a solução?

Veja o vídeo, avalie, compartilhe e, principalmente, reflita.

Afinal, do mesmo jeito que a guerra começa com a gente, a paz também começa com as nossas atitudes. A escolha é sua.

#pazeamornotransito

 

Semana Nacional do Trânsito: seja você a mudança!

18/09/2015 Por:

SEMANA TRANSITO 18.09.15

Hoje começa a Semana Nacional do Trânsito 2015, que tem como tema “Década Mundial de Segurança no Trânsito 2011-2020: Seja VOCÊ a mudança no trânsito”. Vamos abrir a semana, apresentando as três das principais causas de acidentes no Brasil: falta de atenção, excesso de velocidade e a mistura entre álcool e direção. Você sabia?

Esses três fatores estão relacionados a comportamentos imprudentes, ou seja, ações que poderiam ser evitadas. É importante que as pessoas entendam que atitudes individuais podem gerar consequências muito graves para elas mesmas e outras pessoas. Se você dirige o seu veículo falando ou digitando no celular, por exemplo, você assume o risco de provocar um acidente, pois se distrai e diminui o tempo de reação para um evento inesperado, como uma freada brusca do veículo da frente ou uma criança que atravessa a rua correndo. O mesmo vale para o pedestre: se atravessar a rua olhando para o telefone e um carro ou uma moto furar o sinal vermelho, a pessoa não terá nem a chance de evitar o atropelamento.

Sobre o excesso de velocidade, vale um lembrete: os limites determinados para ruas e estradas não foram escolhidos aleatoriamente. Há um estudo por trás dessa definição, para garantir o melhor aproveitamento da via e também a máxima segurança do condutor. Planeje a sua viagem com antecedência e faça o percurso com calma. Além disso, quando o veículo está em alta velocidade, o controle do motorista sobre ele diminui e um obstáculo, por menor que seja, pode causar um grave acidente.

Com o endurecimento da Lei Seca, a conscientização sobre a mistura entre álcool e direção tem aumentado. Mas ainda são muitos os casos de acidentes causados por esse motivo ou de condutores multados nas blitze. Voltar para casa com seu próprio carro pode até ser mais cômodo, mas vale mesmo a pena de colocar a sua vida em risco? Se vai sair e consumir bebida alcoólica, escolha alguém para ser o motorista da rodada ou junte os amigos e rache um táxi. Chegue em casa com segurança para ter boas histórias para contar no dia seguinte!

Dados da Seguradora Líder-DPVAT apontam que, de janeiro a dezembro do ano passado, as indenizações pagas pelo Seguro DPVAT registraram um crescimento de 20% quando comparadas aos números de 2013. Os casos de Invalidez Permanente foram maioria, com 78% dos pagamentos (595.693) e a motocicleta foi o veículo com maior número de indenizações, chegando a 76% (580.063).

No primeiro semestre desse ano, entre janeiro e junho, os casos de Invalidez Permanente continuam sendo maioria, com 78% das indenizações pagas (269.410). Os casos de morte registraram uma diminuição de 11% em relação ao mesmo período do ano passado, mas ainda assim, ultrapassam a quantidade de 20 mil pagamentos, chegando a 22.395.

Quando falamos de trânsito, falamos de vidas. Da sua, da sua família, dos seus amigos. Se você pode evitar um tipo de comportamento e aumentar a sua segurança, por que não? Evite usar o celular no trânsito, respeite os limites da velocidade e não dirija sob efeito de álcool. Seja responsável, faça a sua parte!

Participe da Semana Nacional do Trânsito que começa amanhã!

17/09/2015 Por:

 

SEMANA TRANSITO 17.09.15

Em junho deste ano, o Jornal Hoje, da TV Globo, veiculou uma reportagem em que afirmava que os acidentes de trânsito são a principal causa de morte de jovens no mundo. No Brasil, entre pessoas de 18 a 24 anos, o número de vidas perdidas em acidentes nas ruas e estradas só é menor do que os homicídios. E o que podemos fazer para mudar esse cenário? Qual a nossa parcela de responsabilidade? Para nos fazer refletir sobre o assunto, o Conselho Nacional de Trânsito escolheu o seguinte tema para a Semana Nacional do Trânsito 2015: “Década Mundial de Segurança no Trânsito 2011-2020: Seja VOCÊ a mudança no trânsito”.

Para marcar a data, a partir de amanhã e até o dia 25 de setembro, você, leitor, poderá acompanhar por aqui uma programação especial. Teremos posts diários com informações atuais, notícias relevantes e sugestões de ações para que todos nós façamos a nossa parte. Uma atitude simples pode, sim, salvar uma vida.

Participe com ideias e opiniões nos comentários. Contamos com você!

Podemos fazer o recall dos carros, mas não das vidas perdidas no trânsito

14/09/2015 Por:

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Muitas pessoas tomam conhecimento através dos meios de comunicação que fabricantes de veículos estão convocando proprietários para recall. A palavra de origem inglesa significa “chamar de volta”. O recall ocorre quando o veículo apresenta um defeito grave que compromete a segurança. Na legislação brasileira as montadoras e importadoras são obrigadas, quando tomam conhecimento do defeito, a divulgar na imprensa a convocação, alertando os proprietários sobre o problema e riscos decorrentes.

Como o comunicado costuma ser limitado, feito geralmente em apenas um dia, em poucos veículos de comunicação e sem deixar muito claro os reais riscos, a maioria das pessoas não toma conhecimento que sua moto, carro, caminhão ou ônibus foi convocado e que possui potencial defeito de risco.  Além disso, muitos proprietários são negligentes e acham que não deve ser um problema realmente grave, deixando para tomar providências depois. Outros vendem o veículo sabendo que não atenderam o recall.

Nos EUA, a FIAT, que controla a Chrysler, anunciou que vai disponibilizar US$ 100,00 , quase R$ 400,00 para os proprietários que atenderem a convocação de recall. Além disso, assumiram o compromisso de recomprar cerca de 500 mil carros com recall pendente. As medidas são fruto de exigências que o Governo dos EUA fez após multar a empresa em US$ 105 milhões por descobrir várias irregularidades nos processos de recall da Chrysler.

Naturalmente que a empresa também quer evitar o desgaste de imagem em decorrência dos acidentes, as notícias negativas sobre defeitos graves. Ao mesmo tempo quer estimular proprietários a atenderem o recall. Nos EUA o índice dos que não comparecem para sanar o defeito é pequeno, já no Brasil supera os 40%. Mesmo assim, as empresas nos EUA são obrigadas a correr atrás dos 100% de atendimento.

Por outro lado, a indústria automobilística busca cada vez mais evitar os processos judiciais que surgem após as denúncias dos defeitos que são causa de acidentes graves. São indenizações milionárias, sem falar nas multas aplicadas pelas autoridades. Nesse sentido, nos EUA existe um órgão que investiga possíveis defeitos, o que ajuda no combate aos acidentes. No Brasil, infelizmente, dependemos da montadora ou importador informar defeito grave se achar conveniente.

Vários veículos importados que fazem parte de lotes convocados nos EUA por defeito grave estão circulando no Brasil, e não há indícios de que a Fiat ou Chrysler pretenda oferecer o mesmo estímulo que garante aos consumidores nos EUA. Também não há sinais de que nossas autoridades exijam o mesmo procedimento.

Como ainda não existe um órgão central para investigar acidentes no Brasil e muito menos defeitos de fabricação, não sabemos quantas pessoas morreram ou ficaram inválidas em virtude de acidentes provocados por veículos com defeito. Basta ver os números da Seguradora Líder DPVAT para ter uma ideia do possível tamanho do problema. Em 2014 quase 600 mil indenizações foram pagas para vítimas de acidentes por invalidez permanente e 52 mil por morte. Quantas dessas vidas poderiam ser poupadas caso tivéssemos realmente uma política de investigar acidentes de trânsito com vítimas?

Está na hora de centralizarmos as informações das perícias de acidentes, alertarmos os peritos sobre as convocações por recall, proibirmos que veículos sejam vendidos ou licenciados com recall por fazer. Precisamos urgente de uma agência que investigue acidentes em todo país e fiscalize com rigor os fabricantes de veículos.

Basta imaginar uma carreta ou ônibus com defeito no sistema de freio para entendermos como uma falha no processo de fabricação coloca em risco a vida de milhares de pessoas. Portanto, recall é questão de segurança no trânsito e não apenas relação de consumo. O recall de veículo, ou seja chamar de volta o proprietário na concessionária é possível fazer sem muita dificuldade. O que não conseguimos é realizar o recall de quem morreu ou sanar a invalidez permanente em decorrência de acidente grave causado por veículo com defeito de fábrica. Não existe recall de vidas humanas.

Rodolfo Alberto Rizzotto

Formado em Direito e Economia, coordena o programa de segurança nas estradas SOS Estradas e edita o site www.estradas.com.br, onde é possível acompanhar os temas de seus artigos também em arquivos de áudio, disponíveis para download.