Arquivos mensais: junho 2015

Até quando milhares de “Cristianos e Allanas” ainda vão morrer?

29/06/2015 Por:


Mais um episódio de mortes de jovens marcou o Brasil no último dia 24 de junho. A notícia do acidente do cantor sertanejo, Cristiano Araújo, e sua namorada, Allana C. Pinto de Moraes, mortos em um dos carros mais seguros do mundo, com alta tecnologia, numa estrada em condições seguras – segundo informações iniciais ambos não usavam o cinto de segurança no banco traseiro e, aparentemente, estavam num veículo que trafegava fora dos limites de velocidade da via. Os demais ocupantes do mesmo veículo, o motorista do cantor e um empresário, que sobreviveram ao acidente, usavam o cinto nos bancos da frente.

Independentemente dos fatores que motivaram o acidente (excesso de velocidade, sonolência, estouro do pneu) a falta do uso do cinto não pode ser negligenciada por todos dentro do veículo. A tragédia de vidas interrompidas no auge da idade – ele com 29; a namorada, com apenas 19 anos – confirma estatísticas da violência no trânsito e – infelizmente – não promete ser a última. Os jovens são o segmento mais vulnerável da violência no trânsito. Segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde), os acidentes de trânsito são a principal causa de mortes entre jovens de 15 a 29 anos.

A obrigatoriedade do cinto deve ter fundamento no respeito à vida, no autocuidado, na proteção a todos, pois só a legislação – ainda que importante – não é suficiente para resolver a questão, enquanto as pessoas insistirem em acreditar que estão seguras e num “espaço blindado” dentro dos veículos, alerta José Aurelio Ramalho, diretor-presidente do ONSV (OBSERVATÓRIO Nacional de Segurança Viária).

Ramalho ressalta que enquanto motoristas e passageiros não se conscientizarem que o equipamento não deve ser usado apenas porque a Lei “manda”; e sim, porque trata-se de uma atitude de amor à vida, de preservação e de sobrevivência, essa cena vai ter reprises diários nas vias e estradas pelo mundo. “ A mudança de comportamento é necessária e urgente”, diz.
Para Ramalho, a Lei da obrigatoriedade do cinto, que completa 18 anos, não foi assimilada por grande parte da população, que só a cumpre em parte. Foi promulgada junto com o CTB (Código de Trânsito Brasileiro) e as mortes continuam. “O uso do cinto no banco da frente é comum e o equipamento costuma ser usado sem ressalvas. Já no banco traseiro, o desrespeito às regras é diário.”

Tragédias se acumulam – outra ocorrência recente pela falta do cinto de segurança foi a morte do Nobel de Economia (1994), o matemático John Nash, de 86 anos e da sua mulher, Alícia em New Jersey, nos Estados Unidos, no dia 23 de maio passado – há exatamente um mês. O casal estava num táxi, no banco traseiro, sem o cinto, quando sofreu um acidente. O taxista e o motorista do outro veículo envolvido no acidente se salvaram. Nash inspirou o filme Mente Brilhante (2001).

Fonte: Observatório Nacional de Segurança Viária (ONSV).

Por que a fadiga e o micro sono são tão perigosos ao volante?

25/06/2015 Por:


Ter uma boa noite de sono é essencial para a saúde. Em média, precisamos dormir de sete a oito horas por noite para que o nosso organismo se recupere de um dia de atividades. Se isso não acontece, ficamos com a sensação de cansaço e comprometemos nossa atenção, concentração e percepção, o que caracteriza uma condição insegura para quem precisa dirigir.

Além disso, ficamos mais suscetíveis ao fenômeno do micro sono, o adormecimento que pode durar de uma fração de segundo até 3 a 14 segundos. Ele pode ocorrer a qualquer momento com o condutor, sem sintoma prévio. Pode parecer inofensivo ficar rapidamente com os olhos fechados, mas caso ocorra uma situação inesperada, esse tempo pode ser fundamental para evitar um acidente.

De acordo com Rodolfo Rizzotto, coordenador do programa de segurança nas estradas SOS Estradas, quando o motorista cochila ao volante percorre dezenas de metros sem nenhuma reação e, no caso de acidente, vai colidir ou sair da pista em alta velocidade, sem nenhuma redução como normalmente ocorre quando pisamos no freio. Por isso são os acidentes mais graves. “Quem está sob efeito de álcool costuma reagir, mas quem cochila não tem nenhuma ação, simplesmente sofre o acidente. Por isso precisamos dirigir descansados e nunca tentar vencer o sono. No caso de viagens, as pessoas se preocupam com o veículo, documentação, trajeto, mas costumam esquecer se o motorista está descansado.” Afirma Rodolfo, que recomenda um descanso de pelo menos 20 minutos a cada duas horas de direção. “Isso vale para qualquer motorista e não adianta tentar vencer o cansaço. Sentiu sono pare imediatamente. Afinal, quem cochila ao volante é forte candidato ao sono eterno antecipado.”

De acordo com artigo pulicado pelo Dr. Dirceu Rodrigues Alves Júnior, Diretor de Comunicação e do Departamento de Medicina de Tráfego Ocupacional da ABRAMET (Associação Brasileira de Medicina de Tráfego), 42% dos acidentes são causados pelo sono e 18% pela fadiga.

Se for pegar a estrada, o ideal é que, sempre que estiver cansado, o motorista pare e descanse o tempo que for necessário. Além disso, não deve utilizar medicamentos que prometem inibir o sono, pois, em um primeiro momento, ele pode fazer efeito, mas depois trará uma enorme sensação de cansaço.

De olho vivo, se estiver cansado não dirija!

A entrada em vigor das leis podem ser adiadas, mas as mortes por acidente não

22/06/2015 Por:


A chamada Lei dos Caminhoneiros, a Lei 13.103/15 criou uma série de condições que colocam em risco a vida dos usuários de rodovias, principalmente em função do cansaço desses profissionais que transportam o Brasil.

Os motoristas empregados tiveram um aumento da jornada de trabalho que pode atingir até 12 horas de jornada contra as 10 horas máximas previstas na legislação anterior. O caminhoneiro autônomo circula atualmente sem nenhum limite.Além disso, o descanso mínimo entre jornadas era de 11 horas e agora passou para 8 horas. Precisamos lembrar que o motorista profissional, em particular o caminhoneiro, dorme numa cabine minúscula a maior parte do ano. Algumas sequer tem um pequeno leito. Descansar nessa condição é muito difícil.

Como se não bastasse, a nova legislação ainda permite que o motorista dirija até 5 horas e meia sem parar, podendo estender esse tempo indefinidamente quando considerar que não tem lugar seguro para efetuar a parada. Na lei anterior o limite era de 4 horas de direção contínua, com tolerância de até 5 horas em situações excepcionais.

A partir de duas horas de direção contínua o motorista vai perdendo os reflexos, depois de quatro horas é considerado o equivalente ao motorista sob efeito de álcool. Agora, imagine essa soma de fatores: aumento de jornada, condições precárias de descanso e redução do tempo para esse fim, aumento do tempo de direção sem parar, pressão para entregar a carga. Tudo isso somado pode dar como resultado um acidente grave. Agora, multiplique a velocidade do caminhão pelo peso que pode superar com a carga até 70 toneladas e você poderá imaginar o tamanho das consequências da colisão de uma carreta, com motorista cochilando ao volante, com um automóvel.

Mas a nova legislação conseguiu ainda piorar a situação pois hoje, quando o caminhão tem um pequeno leito atrás do banco do motorista, dois profissionais podem revezar ao volante, dormindo no caminhão em movimento, por nada menos que 72 horas, ou seja três dias sem parar.

Tudo isso contribui para que os motoristas profissionais cada dia mais façam uso do chamado rebite, anfetaminas e drogas para aguentar a jornada sem dormir.
Além do impacto na saúde do motorista, alguns são encontrados na estrada tendo alucinações. Há poucos dias, um caminhoneiro nos informou que viu numa rodovia de Goiás um colega parar o caminhão no meio da estrada e correr para o mato. Inicialmente ele pensou que podia ser um assalto, parou o caminhão e ficou observando de longe, depois viu que não era nada disso. Ao se aproximar descobriu que o caminhoneiro estava tendo alucinações, achando que estava sendo atacado por seres estranhos. Era o efeito da droga, pois a cabine estava cheia de comprimidos e um pouco de cocaína.

Agora, em mais um adiamento, o Contran transferiu a aplicação dos exames toxicológicos para o ano que vem. Com isso, os exames de larga janela, que permitiriam identificar motoristas que usaram drogas nos últimos 90 dias não serão mais aplicados como previsto a partir de desse mês. Era o único aspecto positivo da nova legislação pois obrigava os motoristas a deixarem as drogas por três meses caso desejassem renovar a carteira.

Agora, os caminhoneiros que usam drogas e de certa forma fazem concorrência desleal aos demais, vão ter mais sete meses de impunidade. E quem vai pagar esse preço é toda sociedade, pois para cada caminhoneiro que morre em acidente envolvendo um pesado e veículos leves, nada menos que quatro pessoas morrem nos demais veículos.

Por isso, quando pegar a estrada e observar um caminhão com traçado estranho muito cuidado, ali dentro pode ter um caminhoneiro cochilando ou completamente alucinado. As leis são adiadas, mas as mortes não.

Rodolfo Alberto Rizzotto
Formado em Direito e Economia, coordena o programa de segurança nas estradas SOS Estradas e edita o site www.estradas.com.br, onde é possível acompanhar os temas de seus artigos também em arquivos de áudio, disponíveis para download.

Sete anos de Lei Seca para combater a mistura entre direção e álcool

18/06/2015 Por:


Este mês a Lei Seca completa sete anos em vigor. De autoria do deputado federal Hugo Leal, a norma sofreu uma alteração em 2012 que, além de aumentar o valor da multa administrativa de R$ 957,69 para R$ 1.915,38, podendo dobrar em caso de reincidência no período de 12 meses, ofereceu uma gama maior de possibilidades de comprovação de que o motorista estava sob o efeito do álcool ou de qualquer substância psicoativa, como teste do bafômetro, exame de sangue ou clínico e outras provas como imagem ou vídeo.

De acordo com um estudo do Ministério da Saúde, neste período de vigência da Lei Seca, a frequência de adultos que dirigem após o consumo abusivo de álcool foi reduzida em 45%, passando de 2% em 2007, para 1,1% em 2013. Os dados são da pesquisa Vigitel (Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico) do Ministério da Saúde, que entrevistou 52,9 mil pessoas maiores de 18 anos durante o ano de 2013.

Em todo o Brasil, a Lei Seca vem apresentando números positivos. No Distrito Federal, de acordo com matéria publicada no portal G1, um balanço divulgado pelo Detran apontou que a norma ajudou a reduzir em 20,8% o número de mortes no trânsito até o ano passado. Entre junho de 2007 e junho de 2008, quando a lei começou a valer, foram 500 mortes. No primeiro ano da lei, foram 422 mortes, e em 2014, 396.

Já no Rio de Janeiro, no primeiro trimestre deste ano, a Operação Lei Seca (OLS), que realiza as blitze de trânsito, registrou uma queda nos casos de alcoolemia em comparação com o mesmo período do ano passado. Foram 5.332 casos apontados em 91.993 testes do etilômetro (5,8%), de acordo com nota publicada no site da OLS.

O número de vidas perdidas no trânsito brasileiro ainda é muito alto. Há um longo caminho a ser percorrido, mas a Lei Seca ajudou a dar destaque a um problema gravíssimo, que é a mistura entre direção e álcool. Que cada vez mais motoristas estejam conscientes de que dependemos da atitude de cada um de nós para mudar essa realidade tão alarmante. É possível sair e se divertir sem colocar a vida de terceiros em risco. Pegue um taxi, eleja um “motorista da rodada” ou use o transporte público. Faça a sua parte para que, ano após ano, os números de mortes nas estradas brasileiras seja cada vez menor.

Respeite e valorize a vida!

Fiscalização de olho em quem só reduz a velocidade quando passa por radares

15/06/2015 Por:


Você respeita os limites de velocidade das estradas? Ou costuma andar acima e diminui quando vê um radar? No Rio Grande do Sul, a Polícia Rodoviária Federal montou um esquema para coibir a tática dos motoristas de reduzir a marcha só para passar pela fiscalização. A chamada Operação Hermes — uma referência ao deus mensageiro grego, símbolo da velocidade — reuniu dois radares em sequência em rodovias federais gaúchas para flagrar quem acelerar depois de passar pelo primeiro equipamento.

De acordo com notícia publicada no portal Zero Hora, a decisão da PRF foi baseada em números preocupantes. Comparando o número de acidentes no primeiro semestre de 2013 com o mesmo período deste ano, os agentes perceberamum aumento de 5%, mas, também o crescimento de 10% de periculosidade dos sinistros. Ou seja, os acidentes estão mais graves, com um número maior de vítimas fatais – foram 233 mortes no primeiro semestre de 2013 contra 258 entre janeiro e junho de 2014.

Se a operação fosse implantada em território nacional, muitos motoristas “espertinhos” seriam flagrados acelerando após passar por radares e, consequentemente, multados. Fica então a dica: andar em alta velocidade é um dos principais agravantes dos acidentes. Independente de fiscalização ou multa, é sua responsabilidade garantir a sua segurança e dos demais usuários da via.